Como Adotar o GNU/Linux?

Publicado em 23 Jun 2020

Você não pode evoluir a menos que esteja disposto a mudar.
— Leon Brown

Talvez você tenha notado que uma das minhas recomendações para melhorar a segurança e privacidade digital, é a migração de um sistema operacional (SO) proprietário para o GNU/Linux.

Para entusiastas de tecnologia ou pessoas com alguma formação acadêmica de cunho técnico, pode parecer simples fazer essa mudança para o GNU/Linux, mas se você é alguém que...

Eu acredito que você irá se beneficiar deste guia, especialmente se você talvez ainda não saiba por onde começar a migrar para o GNU/Linux. Não só você precisa considerar qual distribuição (também conhecida como distro ou variante) você deve escolher, mas também precisa saber qual software está à sua disposição e, caso alguns deles não possuam versão para seu novo SO, onde encontrar uma alternativa de modo a não afetar o modo com o qual você trabalha ou usa seu computador.

Embora eu não esteja cobrindo o processo de instalação do GNU/Linux nessa postagem, espero que este seja um bom lugar para você começar a sua jornada em direção a uma forma mais privada, segura e livre de usar seu computador. De qualquer forma, vamos começar...

Nota: Eu compreendo a diferença entre GNU, Linux e GNU/Linux, mas aqui usarei esses termos como sinônimos. Sinta-se à vontade se quiser ler mais sobre o assunto.

1. Escolha uma distribuição GNU/Linux.

O fato de o GNU/Linux ser de código aberto e construído pelas pessoas para as pessoas, dá a elas a liberdade de criar novas variantes personalizadas para nichos específicos. Tantas opções podem parecer muita informação para quem está começando e, provavelmente, você só quer algo que seja fácil de usar, especialmente para iniciantes, e com uma interface de usuário familiar.

Se você estiver migrando do Microsoft Windows, minhas recomendações para você seriam Linux Lite, Linux Mint, ou Trisquel GNU/Linux, eles são fáceis de usar e não demandam muito processamento do seu computador. Se você tem um processador robusto o suficiente para uma distro com um visual mais moderno, você pode tentar Pop_OS! ou PureOS. Por outro lado, se você estiver migrando do macOS, você provavelmente irá preferir elementary OS.

Obviamente, você também tem a opção de mergulhar no vasto universo de distribuições GNU/Linux por meio de sites como o DistroWatch que talvez seja o maior banco de dados de variantes GNU/Linux e BSD. Outra forma de escolher uma distribuição voltada para as suas necessidades seria usar serviços como Distrochooser ou Try Linux.

2. Revise os softwares que você usa.

Esse passo é provavelmente o mais trabalhoso da sua jornada migratória. Não só você pode ter uma quantidade razoável de softwares para analisar, como também você precisa ter bastante cuidado para não interromper o ritmo de trabalho ou a forma com a qual você usa a sua máquina, o que estragaria a sua experiência com um SO baseado em Linux. Por essa razão, eu decidi dividir este passo em três etapas:

2.1 Descubra quais softwares possuem versão para GNU/Linux.

Não tem muito o que fazer aqui, você pode encontrar todas a versões disponíveis de um software específico que você usa em seus respectivos websites. Algumas das distros recomendadas no passo 1 já possuem uma loja de softwares e aplicativos dedicada (similar a App Store) com uma ampla gama de softwares prontos para instalação.

2.2 Procure por alternativas para os softwares não disponíveis para GNU/Linux.

Esta é a etapa que você deve ser mais cauteloso, eu tenho certeza que você não quer ter problemas com as alternativas que você vai escolher, e ter a melhor experiência possível. Nesse caso, você pode tentar serviços como AlternativeTo, Free Software Directory, switching.software e The Linux Alternative Project na sua busca por substitutos.

2.3 Use uma camada de compatibilidade ou um emulador.

No caso em que você precisa de um software específico que não possui versão para Linux e nenhuma das alternativas são boas o suficiente para as suas necessidades, você pode tentar usar softwares que funcionam como uma camada de compatibilidade ou como emuladores para instalar e executar softwares feitos para MS Windows e/ou macOS dentro da sua máquina que está rodando Linux.

Eu gostaria que você usasse esse tipo de software como último recurso por dois motivos: (1) para se libertar de softwares proprietários e não compatíveis com o Linux e, (2) para garantir que você não será afetado pela possibilidade de que um dos emuladores não consiga rodar o software que você precisa.

Portanto, eu recomendo que você dê uma olhada em WineHQ, CrossOver, PlayOnLinux, e Lutris; os dois últimos são voltados para jogos.

3. Não tenha vergonha em pedir ajuda.

Eu sei que a Internet é cheia de gente estúpida que não entende que pessoas diferentes tem dificuldades distintas, mas eu posso te garantir que existem muito mais pessoas dispostas a ajudar outras.

Boa parte das distribuições Linux possuem um fórum dedicado, mas você também pode encontrar fóruns para Linux em geral pela Internet onde você pode pedir ajuda. Você também pode encontrar grupos de chat no Telegram, Matrix, ou XMPP/Jabber.

Conclusão

Essa postagem foi inspirada em uma palestra que eu dei em 2011 e eu espero que ela possa te ajudar em sua jornada longe de sistemas operacionais proprietários.

Este pode não ser um passo-a-passo detalhado onde toda e qualquer necessidade é levada em consideração mas eu acredito que é uma boa estrutura pra te ajudar a se iniciar no mundo GNU/Linux.

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